O tempo é o senhor dos destinos mineiros.
- Beatriz Estima
- 6 de ago. de 2018
- 2 min de leitura
Uma coisa que eu aprendi vivendo no interior de Minas Gerais é que tempo é algo muito relativo. Aqui o tempo é outro; anda devagar, tem vida própria e é ele que te indica os melhores destinos.
Vida apressada não combina com as ruas mineiras, afinal pode imaginar o que acontece quando se caminha rápido ou correndo por entre as ruas de pedra, é queda na certa! Aprendi isso do modo mais difícil: ralando os joelhos.
O Tempo parou nas casas pequenas e coloridas, de teto baixo e porta minúscula, caracterizando o século XVIII quando elas foram construídas. Depois o Tempo deu uma volta de Maria Fumaça e se perdeu por entre a mata atlântica quase intocada, e ficou ali admirando a vila que era montada aos poucos. Seguindo, o Tempo desceu as montanhas com calma – lembrando que a pressa é inimiga da perfeição, e que perfeição de paisagem! – andou por entre as ladeiras, conheceu as pessoas e parou para tomar um cafezinho. Ouviu histórias de tudo quanto é tipo!

Precisa de tempo para entender que em Minas Gerais contar histórias é algo fascinante. A prosa vem de família, a conversa fiada com broa, pão de queijo e café é o melhor cartão postal do mineiro. É assim que eles recebem as pessoas, com tempo para apreciar a vida através das janelas, bater um bom papo com o sotaque arrastado e se perder no “uai” e “trem” que é empregado toda hora.
O tempo, principalmente no interior, reflete a vida das pessoas. Se pode ter uma vida complicada, corrida, difícil, mas para quê? A simplicidade rege esse lugar, dá para ter tempo para admirar os pássaros e para ouvir o som da Maria Fumaça indicando que mais um passeio fora concluído.
Conhecer Mina Gerais requer tempo. Se você tiver ainda mais tempo e disposição entrará nos destinos mais simples e mais gostosos. Conhecerá a doçaria que faz canudinho de doce de leite há gerações e gerações, visitará a senhora de mais de 70 anos que toca bateria, tem uma banda, é fotógrafa e psicóloga nas horas vagas. Conversará com o Mestre do Congado que mora na rua de cima e vai te ensinar um pouco sobre cultura popular. Com um pouco mais de dedicação, o tempo vai te apresentar pessoas que passaram a vida toda olhando por entre as serras, cultivando a própria arte, porém, também lhe apresentará pessoas que largaram tudo o que tinham nas grandes cidades para viver, justamente, a presença do tempo que não passa do cantinho mineiro...
O que aprendi com a regulagem do tempo? Que andar com calma ainda é a melhor opção, que caminhar sem rumo pode te dar momentos incríveis, que perder aquele ônibus que sai na hora certa te faz conhecer brilhantes histórias. Aprendi que é desacelerando que você consegue ver o que passou despercebido outrora, e que o tempo quieto do interior ainda pode te levar além.




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