top of page

Crônica da vida adulta - parte 2

  • Foto do escritor: Beatriz Estima
    Beatriz Estima
  • 4 de dez. de 2019
  • 3 min de leitura

Iniciei dezembro com uma pontinha de nostalgia. No meu mês favorito resolvi pensar e recordar de todas as coisas que me aconteceram nos últimos 4 anos, afinal, meu mundo mudou completamente quando resolvi sair de casa. Enfrentei as lembranças rindo à beça e secando algumas lágrimas. Foram tantas histórias e momentos (muitos momentos ruins) que não conseguiria passar por tudo isso sem me emocionar. Mas, como gosto de imaginar, minha vida é realmente uma crônica e as histórias não pararam, mesmo perto do fim.


Costumo pensar que 4 anos de vivência em Minas Gerais não foram suficientes e que São João del-Rei, especificamente, gosta mesmo de me surpreender. Eis, talvez (e espero que seja), o meu último (???) perrengue patrocinado pelas terras do falecido Tancredo Neves.


Sempre me falaram que a vida adulta tinha que ser encarada como um caminho de pedras, difícil, que eu iria encontrar muitos buracos pela estrada, mas ei, não se pode cair neles!! Ouvia também o famoso "a vida adulta não é um mar de rosas". Ora, meus amigos, isso todo mundo sabe e nem precisa ser adulto para descobrir. O que eu não imaginava era que no começo da minha vida adulta eu enfrentaria literalmente pedras e buracos se eu quisesse continuar. E não estou falando das imensas crateras que a DAMAE abre todos os dias na minha rua, ou das pedras que tropeço toda semana ao ir trabalhar. Estou me referindo ao buraco que abriu na parede do meu banheiro.


Sim, amigos, um belo dia você acorda, vai ao banheiro, toma seu banho, e vai trabalhar. Tudo normal, nada muito diferente do que a maioria dos brasileiros. Sai daquele seu trabalho que já te estressou mais do que deveria, segura um xixi preso na bexiga por mais de meia hora, pensa apenas no alívio que vai dar quando finalmente "descarregar" esse líquido do corpo. Chega em casa a espera de usar o banheiro. E TCHARAN!!!! Você se depara com um buraco aberto na parede e toda a sujeira no chão. Depois do susto, o xixi nem existe mais (não, eu não fiz na roupa, fiquem tranquilos).


Os erros de alguns pedreiros da obra da frente custaram seu banheiro, na casa que você só vai ficar por mais 20 dias. A parede antes de cair não pensou no trampo que você teria para limpar tudo e os pedreiros não quiseram saber se vão precisar arrumar o mais rápido possível. Está ali, um buraco na sua casa. E olha, torça para não chover (infelizmente, previsão de chuva por toda Minas Gerais). Se não bastasse o seu banheiro dando adeus, você ainda descobre que esvaziaram sua caixa d'água. Ou seja, água só da chuva mesmo.


Eu apenas soltei uma gargalhada dessas que se mistura um riso de nervoso com um bem verdadeiro. Sabia que a minha última estadia em São João tinha que me render mais histórias. Há quem diga que eu coleciono azar, eu hoje em dia gosto de pensar que preciso de fatos para manter minhas crônicas atualizadas.


Quando as pessoas falam sobre a vida adulta, não chegam a comentar as surpresas que podem existir nesse caminho de pedra. Não falam sobre os contratempos que surgem e que te arrancam um banheiro, por exemplo. E claro, você nunca vai esperar que isso aconteça um dia. Mas pode acontecer. Já eu precisava de mais histórias para o meu 2019 ser completo e essa caiu como uma luva, ou melhor, em formato de reboco de parede. Assim, faltando uma parte do meu banheiro eu digo: "Até logo, São João, chega de perrengues por agora. Deixa eu descansar". Porém, algo me diz que Minas Gerais - e a vida adulta-, ainda vão me dar infinitas possibilidades de contar histórias.

 
 
 

Comentários


  • Instagram

Inscreva-se para receber a newsletter policromática

Obrigada!

bottom of page