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Crônica da vida adulta - parte 1

  • Foto do escritor: Beatriz Estima
    Beatriz Estima
  • 25 de set. de 2019
  • 3 min de leitura

Há uma certa beleza em morar sozinho. Na verdade, há uma aura toda mística e de superioridade em quem decide morar só neste mundo. Mas, o que realmente acontece é que você passa por "perrengues" comuns iguais a todo mundo, seja essa pessoa casada, com família ou não.


A única diferença, talvez, entre alguém que mora sozinho e uma pessoa casada é que, bem, você está completamente sozinho, então quando o chuveiro queima, o cano da pia estoura ou uma barata aparece no canto da cozinha, você não tem com quem gritar. Ali é tipo "Por Espartaaaaaa!!!" e você é obrigado a pegar o chinelo e matar a barata ou pegar a chave de fenda como quem brande uma espada e vai à guerra: confiante, mesmo sem saber o que está fazendo.


Porém, claro, há o lado bom de se morar sozinho. Você pode encarar com positividade e levar tudo isso como experiência. Para que serviria ao certo, não sei, mas é o que todos dizem. Ora, vejamos, você pode colocar no seu currículo. Por exemplo: "Beatriz, 21 anos, estudante de Jornalismo, ágil em matar baratas, criativa nas gambiarras do chuveiro e faz um macarrão para um como ninguém!!" Confie no seu potencial, você será contratado.


O que ninguém diz e que escondem de você propositalmente - senão você desiste de morar sozinho e vive como todos de hoje na 'geração canguru' -, é que estar sozinho é difícil, triste e na maior parte das vezes você só quer o colo da sua mãe. Em um dia de melancolia, abre a geladeira e só o que verá nela será uma fatia de pão de forma, uma margarina (da mais barata, de preferência) e uma garrafa com água (no meu caso é uma garrafa de chá mate gelado que há meses habita a prateleira de cima da minha geladeira. Não ouso mais tomar, contudo, também tenho dó de jogar fora. É isso, vida de adulta). E por que você tem tão pouca coisa? É falta de dinheiro? Talvez, na grande parte, sim. Mas principalmente é porque você se esqueceu de fazer compras. SIM. Você. Se. Esqueceu.

As coisas não funcionam mais como antes, sua família não abastece mais sua geladeira e sua dispensa. E ai entre a roupa que você lavou de manhãzinha, a ida para o trabalho e o retorno até a faculdade você precisa fazer uma lista do que está faltando e ir ao supermercado. E pasmem (se até agora vocês nunca fizeram isso), o supermercado será o rolê mais fixo que você terá até o fim da vida.


É, óbvio, que para quem, apesar de tudo isso, continua na empreitada de morar sozinho - seja por opção ou necessidade -, também sente a satisfação de ter um cantinho só seu e poder aproveitar o tempo entre uma faxina aqui e a sua tese de TCC ali, para usufruir da sua esquisitice sem ninguém estar olhando e te julgando. Não estou dizendo esse fetiche de andar pelado pela casa (que aliás, nem é tão bom assim).


Estou me referindo àquele breve momento que você sabe que conseguiu sobreviver à mais um dia sozinho nesse mundo louco. Quando você senta na cama, respira fundo, coloca sua playlist favorita e sente a necessidade imensa de cantar e dançar, para talvez espantar seus males e preocupações. Afinal, o que mais poderia dar errado? Tudo, meus caros. Tudo ainda pode dar errado. Mas isso já é papo para uma outra crônica.


 
 
 

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